19 грудня 2006

Nada Não...

“É mais fácil aos indivíduos levianos, e requer menor responsabilidade, descrever com palavras as coisas inexistentes do que as existentes, contudo (...) certas coisas não tem aparência real e a existência não se pode comprovar, mas pelo fato de indivíduos respeitosos e conscienciosos tratarem como coisas existentes, são levadas a dar mais um passo em direção do ser e da possibilidade de nascer”.

Algo escrito em algum livro de Herman Hesse.

Consciencioso? Respeitoso? Leviano? Nada não... Só coloquei esse trecho aqui por gostar mesmo, não procuro ilustrar, muito menos justificar nada.

Histórias de Ilda Batatinha - O Vale dos Operariosinhos

A historinha do Vale dos Operáriosinhos
Por coração de menina

O Vale dos Operáriosinhos surgiu há aproximadamente alguns anos. Nasceu por geração espontânea, ouviu-se um Plim! e pronto! Lá estava ele, todo formado. Cada árvore em seu lugar, como se sempre estivessem lá, cada casa em seu lugar, como se fosse construída há anos, e, cada pessoa com sua vida, como se tivesse uma trajetória ou outras histórias antes dessa. Mas como eu disse, foi geração espontânea.
O vale vive dentro de uma bolha, e é sempre seis horas da tarde. Todos os habitantes de lá trabalham, trabalham muito, são ótimos operáriosinhos da única fabrica que existe lá. Porém, como eu disse, é sempre seis horas da tarde, ou seja, é sempre a hora depois de um dia de trabalho, com o sol alaranjado colorindo as janelas de vidro. Mas nem sempre foi assim.
Há muito, muito tempo (lembrando que não é tanto tempo assim, pois o vale tem apenas alguns anos, o que para o vale é bastante, já que sua existência toda cabe nesse espaço de tempo) o sol lá nascia e se punha deixando a noite existir. Até que um duende verde veio trazendo aos habitantes de lá uma novidade, e antes disso, não existiam novidades naquele vale...
- E encerro aqui prá começar.

Histórias de Ilda Batatinha

Em terras de Paquitas Desmioladas, Juarez, o moço donzelo, é quem cuida de Espirafolhas Batatinha. E ele é o responsável por algo que nem sei ainda.

Juarez, o moço donzelo, estava preocupado com Espirafolhas Batatinha, pois ela não estava vivendo muito bem na terra de Paquitas Desmioladas. Então, ele resolveu que deveria dar um espelho de presente à ela. Espirafolhas Batatinha ficou radiante com o presente (na verdade ela ficava radiante por qualquer coisa). Nem tentou conter o sorriso ao olhar para o espelho (ela estava sempre sorrindo). E pendurou o presente atrás da porta de seu quarto.
Já à noitinha, enquanto todos foram desfilar, Espirafolhas Batatinha foi para seu quarto e trancou a porta. E daí conheceu uma menina chamada coração de menina, que era ela também. Só que era ela em outro lugar.
Curiosa, ela queria conhecer esse outro lugar onde vivia ela outra. E então pediu ao coração de menina que deixasse ela conhecer aquele vale onde ela vivia. Coração de menina disse que não tinha como ela entrar no vale, mas podia mostrar toda a história daquele lugar, desde sempre e sempre, já que o vale simplesmente era e estava lá.
Espirafolhas Batatinha deu três pulinhos e bateu palmas, radiante. Ela queria muito conhecer uma nova história. Ou melhor, conhecer uma história, já que em terras de Paquitas Desmioladas isso não era possível.

Uma história para a Camila

Estava sentada na margem de um lago simpático olhando para as ondinhas que o vento fazia, quando, através do espelho das águas avistei um avião cortando o céu...
E pensei:
Por que o homem cria coisas? Vence espaço? Quer voar?
E retruquei:
São da terra, filhos da terra, frutos da terra, e seu estado natural é em harmonia com a terra.
E daí Puim me cutucou e apontou para uma teia de aranha que estava no tronco da árvore que me fazia sombra. E então começou a contar uma historinha.

Os animais

Veja a aranha. Ela nasce já sabendo tecer sua teia. E a tece com todo o cuidado, pois é de onde tira seu alimento, de onde irá repousar, onde terá seus filhos. Alimenta-se para viver, procriar e morrer. E assim faz naturalmente, em harmonia.
A diferença do homem é que ele quer criar.

- Seriam os homens semi-deuses?- pensei.

- Semi- deuses bem babacas. – Puim retrucou rindo e continuou...

... Mas o homem também cria coisas belas. E apenas essas devem continuar. Esqueçam homens! Esqueçam a vaidade e a ganância e voltem a ter a naturalidade dos animais. E que a sede de criar seja apenas movida pelo amor. Para criar coisas belas.
Vejam a natureza. Ela não é bela? Perfeita? Pois bem. Foi Deus quem criou. E esse é o Deus Perfeito. E essa é a verdadeira criação...

Essa é a chave do mundo. Foi aí que tuuudo começou, essa longa história... A vontade de criar e com ela a vaidade (porque são seres pequeninos) e toooodo o resto que sua humanidade já conhece...

E por que não consegue ser feliz? Por que foge sempre da simplicidade? A simplicidade está aí a tua porta mas tem medo de abrir.